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O CANTADOR

Por: Antromsil

Em: 22/05/14

Imagem: baahzorzo.blogspot.com

clip_image002O Nordeste brasileiro sempre foi cenário das mais diversas manifestações populares já desde muito arraigadas entre o seu povo.

A figura do cantador -, hoje um elemento escasso devido ao próprio tempo inexorável nas suas determinações de mudanças bruscas, o advento de novas tecnologias e novas formas de diversão tem alterado significativamente os hábitos de todos nós, - ainda perdura entre as preferências dos mais velhos, mais resistentes à modernidade.

No meu tempo de criança era comum vê-se em qualquer data festiva cantadores em dupla ou mesmo sozinhos cantarem os seus versos nos mais diversos modos e motes conhecidos para a alegria de todos.

Porém, como costuma acontecer em todas as classes, além dos grandes e talentosos profissionais existiam (e ainda existem) de permeio aqueles com pouco ou nenhum conteúdo cultural, semianalfabetos ou totalmente iletrados, uns até com um certo talento, uma queda para o ofício, se assim nos podemos expressar.

Pois bem, houve numa certa época que não sei precisar por se tratar de estória que ouvi contar pelo Sr. Geraldo Ferreira, de alcunha Gerardo Mocó, um ferreiro daqui de Sobral, cuja idade é de aproximadamente 80 anos, apreciador de cantorias, que narrou-me o seguinte caso:

Certa feita, por ocasião de uma dessas cantorias, uma pessoa da plateia pediu o seguinte mote: Diz o velho Testamento.

Um dos cantadores da dupla que se apresentava naquele dia, Sr. José Limeira não se fez de rogado e prontamente, executou os acordes iniciais em sua viola e soltando a voz atendeu ao pedido do cidadão. Eis os versos:

Deodoro da Fonseca

foi marechal da Marinha

Vinte anos ele tinha

Quando ingressou num convento

Foi promovido a sagento

Mas tinha muita preguiça

Foi ser cabo de Puliça

Diz o Velho Testamento.

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A visão do pântano

A visão do pântano

(texto de ficção)

Por: Antromsil

   Imagem ilustrativa (rodapedohorizonte.wordpress.com)

       Sertão cearense, berço de lendas e mitos, estórias de Trancoso, anedotas mil que ilustram o nosso rico folclore, casos que são vividos e contados por aqueles que mais se identificam e melhor narram tais episódios.

          Muitos desses casos envolvidos em ares de mistério, fantasmagóricos e assombrosos que quando narrados deixam as crianças curiosas, encantadas com as proezas dos personagens, mas também cheias de pavor. Eu era um destes garotos que ao ouvir tais relatos, ia dormir morrendo de medo de vivenciar, mesmo que sendo em sonho, os casos que ouvia contar.

          A mais das vezes tais acontecimentos não passavam de artimanhas articuladas adredemente por pessoas folgazonas que se regozijam em pregar peças naqueles menos precavidos e medrosos, os quais se tornam presa fácil para manipulação desses marotos com suas travessuras.

          Num desses casos, ocorrido em dado momento numa comunidade interiorana, houve um fato que apavorou várias pessoas, em uma travessia situada num tipo de terreno pantanoso, cuja composição predominante era de argila escura e areia, permeadas de pequenas poças d’água e buracos cheios de lama ou areia, semelhantes a areia movediça, uma verdadeira armadilha para animais ou mesmo gente desavisada.

          A estrada apiçarrada e estreita, formava um aterro dividindo o charco e logo depois, um terreno seco que dava acesso a uma outra vicinal de maior movimento e que servia para o tráfego de veículos e pessoas dos logradouros lindeiros.

          Certa feita, caída a noite numa fase de quarto minguante da lua, quando a visão noturna fica mais embaçada pela penumbra noturna, dois rapazes numa bicicleta, João e José, seu primo, se dirigiam a uma mercearia da pequena vila da localidade, chamada Vila Nova, para comprar mercadorias que estavam em falta nas suas residências, ao atravessar o trecho mencionado, foram surpreendidos coma espécie de gemido cruciante seguido de gesticulações aflitivas, isto a cerca de uns vinte metros de distância de onde se encontravam, que os deixou assombrados ante àquela visão fantasmagórica.

          O susto foi de tal maneira que o rapaz que vinha na garupa, saltou e fez carreira, enquanto que o outro, mais assustado ainda, apeou-se e correu empurrando a bicicleta, gritando para que o seu primo o esperasse. Chegaram esbaforidos ao seu destino, suados e apavorados com a estranha avantesma.

         Como não era muito tarde da noite, toda vila tomou conhecimento do fato, pois, esse tipo de notícia corre depressa. Os rapazes tinham que retornar às suas casas, mas estavam com medo. Alguns jovens dos que estavam bebericando num boteco se ofereceram pra ir com os rapazes, já que estes não se encontravam em condições de ir sozinhos. Foram em número de cinco.

          Ao se aproximarem do local do incidente, eis que abruptamente ouviu-se o ruído de mato e galhos quebrados acompanhados do roçar das folhas agitadas, não pelo vento, mas por serem tocadas por um animal que se deslocava a toda velocidade, seguido por outro que o perseguia, atravessando a estrada justamente aos pés dos que estavam na frente do grupo de rapazes.

          Não deu outra. O assombro foi aí muito maior e todos retrocederam em desabalada carreira, sendo que João, o rapaz da bicicleta, dessa vez a abandonou.

          Os cinco rapazes chegaram ao pequeno povoado exauridos, arfando de tanto cansaço e sobressalto, sentando-se no banco da pracinha. João somente deu pela falta da bicicleta quando já recuperava o ânimo, em frente ao boteco de onde saíram.

          Seu Raimundo, um senhor maduro e sensato que ali residia, com seus cinquenta de nove de idade, inteirou-se da conversa e foi ouvir os jovens espantados. Um dizia ter visto um lobisomem, outro, que era a mula sem cabeça, um terceiro, que era o próprio Satanás em pessoa, e assim cada um dava a sua versão desconexa uma da outra sem que se chegasse a um acordo quanto à real visão.

          Seu Raimundo ofereceu-se para guiar os mancebos até sua residência. De posse de sua lanterna e faca de caça, sem esquecer o revolver, como garantia para qualquer outro imprevisto e os seguiu acompanhado de seu fiel cachorro, velho companheiro de caçadas.

          Os rapazes sentiram-se mais confiantes visto que o seu guia era homem experiente e destemido, que não se deixava enganar pelas aparências e não dava crédito à conversa fiada, que procurava entender as coisas com sensatez e argúcia. Munido de suas ferramentas de caça, acompanhou os rapazes inquirindo deles todas as informações que necessitava para a elucidação dos fatos ocorridos naquela noite.

          No local da segunda suposta aparição, seu Raimundo, analisou, perscrutou as evidências e, das pistas encontradas concluiu que se tratava de um porco perseguido por um outro animal, possivelmente um guaxinim ou um cachorro do mato.

          No lugar do primeiro caso, acendeu a lanterna e dirigiu o foco para o lado de onde os jovens lhe indicaram fazendo uma varredura, encontrando um vulto negro que se agitou e emitiu um som rouco e fraco, semelhante a um mugido de gado. Os rapazes recuaram ainda assustados, mas não correram, encorajados pela presença do senhor Raimundo, que os incentivava e por essa razão, ficaram à espreita, aguardando a confirmação de seu guia que afastou o arame da cerca e entrou no lodaçal, dirigindo-se ao vulto, sem vacilo.

        E assim, caminhando pela parte mais dura do lamaçal conseguiu chegar a onde estava a suposta aparição que era, nada mais, nada menos, do que uma vaca preta que teve uma das pernas presa por um buraco de lama e se debatia a esmo tentando sair daquela prisão, isso já há bastante tempo. Instintivamente, à aproximação de algum transeunte, esta se debatia, balouçando a cabeça e mugia tentando chamar a atenção de uma alma caridosa que viesse em seu socorro. Seu berro estranho, prendia-se ao fato de já estar exaurida em suas forças de tanto esforçar-se para escapar da armadilha em que caíra.

          Após a elucidação do caso, seu Raimundo solicitou a ajuda dos rapazes para retirar a vaca do atoleiro e a soltaram em solo firme, a qual saiu cambaleando em razão do exposto e foi-se embora.

          Os dois rapazes ficaram bastante envergonhados com aquela situação, mas, seu Raimundo os alentava dizendo que “foi só um susto e isso era perfeitamente normal na sua idade, não havendo razão para se perturbarem.”

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Cap. XII do livro Os 30 Papas que Envergonharam a Humanidade

Nesta postagem, estou mostrando o capítulo XII do livro Os 30 Papas que Envergonharam a Humanidade, de Jeovah Mendes, que mostra um episodio vergonhoso da historia do cristianismo.

Saliento que não tenho a intenção ferir suscetibilidades e nem denegrir a imagem de quem quer que seja, interessado apenas em mostrar o quanto o ser humano é capaz em sua ganância exacerbada, em praticas ainda hoje evidenciadas em nosso dia a dia pelos salafrários de plantão que vivem do terrível mister de espoliar, aplicar o conto do vigário, boa noite cinderela e outros golpes vis, aos homens simples, de boa fé e menos avisados, sem contar os que, de posse do poder, assim agem em detrimento do povo. Antromsil.

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“Capítulo XII

JOÃO XV

(de 985 a 996)

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Cobiçoso, ladrão e corrupto

clip_image004Com o fim trágico de Bonifácio VII nas mãos de seus inimigos, a Santa Igreja Católica e Romana passa a ser governada por um virtuoso seguidor de Mamon, em cuja personalidade combinavam-se, de modo admirável, a ambição de um Judas, a capacidade de aliciar de um Simão e a ausência de escrúpulos de um Al Capone... Este indigno Pontífice transformou o Vaticano num feudo privado, distribuindo as finanças da Igreja entre seus parentes e ganhando para si mesmo a reputação de ser "cobiçoso de lucro imundo, e corrupto em todos os seus atos".43

          No ano de 990, objetivando aumentar as receitas da Santa Sé, João XV comandou a venda de preciosas relíquias pertencentes a diversos ícones do cristianismo, começando por São José e seu equipamento de marcenaria — bem como os arreios que pertenceram ao jumentinho que conduziu a Virgem Maria e o menino Jesus ao Egito, pedaços de madeira do barco de pesca do apóstolo Pedro, restos de comida que alimentaram o pobre Lázaro (que comia das migalhas caídas da mesa de um rico), pedaços de pano da túnica de Jesus, dividida entre os soldados romanos, a cabeça de João Batista e, por último, uma pena da asa do Divino Espírito Santo... 44

          Depois de arrecadar quantias astronômicas com a venda das supostas relíquias de origem divina, o Papa João XV apossou-se de vários cemitérios antigos - dois deles bastante conhecidos dos romanos, o de Marcelino e o de Lucila — onde concentravam-se os restos mortais da maioria dos mártires imolados nas perseguições dos imperadores de Roma, de Nero a Galério. Utilizando os mesmos procedimentos de João XII, o imoral neto de Marózia (que decretara a venda de caveiras de supostos mártires cristãos), João XV também tirou vantagens materiais do povo que habitava aquela época de trevas e ignorância, amealhando fortunas para si e sua família.45

          Este Papa teve a petulância de cobrar de cada fiel daquele tempo um imposto sobre invocação ou mesmo intercessão dos santos, abocanhando outra grande fatia de proventos para os já abarrotados cofres de sua propriedade e de seus apaniguados (1. Protegido, favorito. 2. Sectário, partidário.) aliados. Tal procedimento dá-nos a entender que o Papa João XV tinha controle exclusivo sobre todos os santos do panteão católico, muitos deles de procedência duvidosa. Como grande parte dos santos do martirológio católico proveio da tradição oral dos antigos romanos, há possíveis falhas quanto a seus nomes e atributos divinos, sendo humanamente impossível, já naqueles obscuros tempos, determinar-se o nome exato de uma pessoa, quando tantas morriam, anonimamente, nas arenas.

          João XV, além de nepotista, (adepto do nepotismo=1. Autoridade que os sobrinhos e outros parentes do Papa exerciam na administração eclesiástica. 2. Favoritismo, patronato) era simoníaco, (Referente a simonia=1. Tráfico de coisas sagradas ou espirituais, tais como sacramentos, dignidades, benefícios eclesiásticos, etc. 2. Venda ilícita de coisas sagradas.) ou seja, dava os melhores empregos para os seus familiares e vendia cargos eclesiásticos e outros objetos supostamente sagrados como perdão dos pecados e passaporte para os céus. Em sua gestão pontifícia, o Vaticano consolidou-se em sólida empresa multinacional de arrecadação do pecúnio (pecúnia=dinheiro) sagrado, perdendo apenas para o poderio financeiro do duque Guilherme de Aquitânia - o mesmo que doou terras para a construção do Mosteiro de Cluny, no século X.

          Enquanto João XV acumulava tesouros e mais tesouros para si e para os seus, vários inimigos conspiravam diuturnamente para afastá-lo do Vaticano; foi enfim destronado no ano de 996.

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43 WOODROW, Ralph. Op.cit, p. 98.

44 ALMEIDA, Abrãao de. Op. c/f., pp. 80-6.

45 SCHAFF, David S. Nossa Crença e a de Nossos Pais, Imprensa Metodista, São Paulo, 1964, p. 446.”

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Casos - O JUDAS

O JUDAS

Por Antromsil

23/07/2013

imageO Nordeste brasileiro é riquíssimo em folclore, em crenças e costumes diversos, como sói acontecer em todo Brasil.

Sobral, encravado no Noroeste cearense tem também as suas tradições, suas datas festivas, como o Boi de Reisado, as Festas Juninas e a Malhação do Judas, como fechamento da Páscoa e da Quaresma, nas quais acontecem, vez por outra, algum tipo de episódio engraçado.

Determinados casos ocorridos são contados por pessoas que, de certo modo, se especializaram no assunto porque as contam com desenvoltura e com graça, como certos membros da família Dias.

Alberto Dias, mais conhecido pela alcunha de Bebeca, quando em conversa de bar, na qual fala-se de todos assuntos que se possa imaginar, contou-me um destes casos que tentarei retratar, conforme o que entendi, com o máximo de fidelidade que me for possível.

Por ocasião de uma dessas festas, em que as pessoas se deslocam das localidades onde residem para a igreja mais próxima, no caso, a sede do Distrito ou mesmo para a cidade onde as festividades eram mais animadas, pois, no final dos ritos sacros havia os folguedos das quermesses, das barracas de guloseimas, com comidas típicas, refrescos e bebidas diversas, do parque de diversão, da banda de música, e outras atrações, que era um deleite para todos, principalmente os mais jovens, que aí encontravam ocasião para se distrair, esquecendo a rotina do dia a dia.

A tradição do Judas (ou Malhação do Judas), há muito arraigado nos costumes do povo, tem a sua vez de Sexta-feira da Paixão para Sábado de Aleluia, quando este, depois de confeccionado é pendurado preferencialmente em um pau bem alto para dificultar a sua derrubada no Domingo da Ressurreição, pela tarde.

Havia na localidade, determinado elemento com dotes artísticos que confeccionou um exemplar do Judas bastante peculiar pelas características acrescentadas ao boneco de engonço que, assemelhando-se aos de marionete, ganhou movimentos nas mãos de seu criador que assim o fez para a noite assustar os transeuntes menos precavidos.

Era uma Sexta-feira Santa, e quase todos os católicos da localidade da Mutuca haviam saído para participar da procissão do Senhor Morto. Terminada esta e concluídos os ritos finais que culminam com a bênção, alguns dos que moram mais longe pegam o caminho de volta, outros ficam um pouco mais e alguns, até o encerramento.

Os primeiros que passaram pelo local onde foi trepado o Judas, (possivelmente um pé de oiticica ao lado do caminho), saiam correndo espavoridos com o susto, espantados que eram pelo baixar e levantar do fantoche e dos movimentos dos seus membros, assemelhando-se ao homem, manipulados habilmente pelo seu criador e operador que, evidentemente caia na risada, pondo a mão na boca para não ser notado pelas suas vítimas.

A penumbra da noite dificultava uma visão mais clara do objeto que dava a impressão de coisa do outro mundo, uma visagem como se conhece por aqui.

Depois que muitos se assombraram, a notícia correu célere e em pouco tempo quase toda gente da região já havia tomado conhecimento das peripécias de tal abantesma.

Um terceiro personagem entra a cena na pessoa de um homem metido a valente, moreno de boa estatura, de mais ou menos uns quarenta e cinco anos de idade que, já com umas quatro na cabeça, deveria passar obrigatoriamente pelo local do acontecimento, por tratar-se do seu caminho.

Armado de peixeira, como de costume e mais ou menos cauteloso posto que já sabia da notícia, Zelão pegou a estrada e dirigiu-se a sua residência que não distava muito dali, quando, ao aproximar-se do local foi pego de surpresa com a queda brusca do Judas que, arreado ao chão, ao mesmo tempo ficou de pé. Zelão, pulando para trás e, lógico, sacando sua arma da bainha, investiu furiosamente contra o fantoche que pulava e gesticulava mais que um macaco.

Travou-se então uma batalha acirrada entre os personagens que se estendeu por longo tempo, pois, enquanto um desferia violentos golpes de faca contra o adversário, este, mesmo ferido não sangrava e nem dizia uma palavra, somente se defendia com braçadas e pernadas, ora pulando, ora esparramando-se no chão.

Foi então quando Zelão já bastante cansado pelo combate, suado e resfolegando, estacou exclamando:

- Oxente! Tu tem é pauta com Cão, desgraçado, vai-te embora daqui! – E, desistindo da pugna, foi-se embora.

Sobral, 23/07/2013

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A CONFISSÃO

imagePor: Romão Silva (Antromsil)

Corria o ano de 1959. Numa pequenina cidade do interior nordestino, lugar de população simples, muito carola, onde ainda hoje predomina a religião Católica Apostólica Romana, havia um padre conservador, homem de aproximadamente cinquenta anos, moreno, olhos claros, de estatura média, daqueles que só tirava a sotaina para dormir e tomar banho, o qual seguia à risca as orientações da Santa Madre Igreja.

Padre Mariano, como era conhecido, dirigia seu rebanho com mão de ferro, - se assim podemos nos expressar -, pois, sua missão de pároco exigia firmeza, porque os fies, apesar de serem assaz religiosos, não eram nada santos e tinham lá seus pecados cabeludos. No fundo, Padre Mariano não era má pessoa; era respeitado por todos, porém, o excesso de zelo tirava-lhe o mérito de ser amado.

As missas, o batismo, todos os sacramentos enfim, seguiam os trâmites ritualísticos de praxe. Como confessor, era inflexível nas penitências, quase sempre exageradas. Não ficava um pecado sem a devida correção em penitência, como meio de corrigenda ao pecador contumaz.

Certa feita, apareceu na igreja uma mulher jovem, aparentado os seus vinte e cinco anos procurando o padre para uma confissão. Este, solicitou alguns minutos enquanto se paramentava para atendê-la no confessionário e efetuar alguns preparativos para a missa cujo horário se aproximava.

Tal jovem, bem vestida, estatura média, corpo escultural, bem afeiçoada, morena de cabelos e olhos castanhos e tez macia, andar cadenciado e elegante, simpática, era, o que se pode afirmar, um primor de mulher. Chamava-se Ana Cristina. Mesmo abatida pelos seus problemas mais íntimos, pelos azorragues das vicissitudes da vida, ainda assim, revelava-se uma bela criatura.

A moça ajoelhou-se, fez o sinal da cruz e iniciou o ato de constrição, em obediência ao mando do padre e, logo depois, iniciou sua auto incriminação.

- Sr. Padre, perdoe-me porque sou uma pobre pecadora!

- Não dirija o seu pedido de perdão a mim e sim, a Deus, que é todo misericordioso.

- Sim, Sr. Padre, somente o fiz por estar diante de um ministro Seu aqui na Terra.

- Muito bem, conte então os seus pecados, começando por aqueles que mais a incomodam.

- Sim Sr. Padre.

Pobre mulher! Apesar de sua simpatia natural, estava agora com o semblante pálido, fustigado pela opressão da dor que a afligia, pela infelicidade de se haver “perdido", por ter-se deixado embair por belas palavras, eivadas de pura ilusão, pelo amor que dedicava a seu amado que somente desejava dela se aproveitar, para em seguida abandoná-la à própria sorte, tangida pelos caprichos do destino.

Sim, tal criatura desditosa, posto que nascida na pobreza, perdera os pais ainda criança, teve que morar com parentes desnaturados, daqueles que não se importam em zelar por seus próprios rebentos e que, por essa razão, não teriam a honradez de assumir responsabilidades por uma garotinha órfã, mesmo sendo esta do seu próprio sangue.

Assim cresceu, sob o peso da carga de trabalho que lhe era imposta nos afazeres domésticos, da fome que lhe fora companheira em muitas ocasiões, das humilhações e do azorrague dos castigos que sofria por coisas banais. Aprendeu a ler, após a morte dos pais, que lhe ministraram as primeiras letras, por esforço próprio e com a ajuda de algumas coleguinhas mais chegadas, e assim, caminhando por sobre espinhos e abrolhos, atingiu a maior idade.

Aos dezesseis anos conhecera um jovem senhor por quem se afeiçoara, sendo este o seu primeiro namorado. O rapaz, dez anos mais velho que ela, bem parecido, do tipo atlético, moreno de cabelos pretos, sempre bem penteados, olhos castanhos, trabalhador, porém, mal caráter. Dificilmente cumpria o que prometia. Tinha uma facilidade enorme de conquistar e convencer as pessoas, tanto que não foi para ele nada complicado tirar proveito da situação e desonrar aquele que tanto amor lhe dedicara, com falsas promessas, para em seguida abandoná-la.

Àquela época, no interior do nordeste, em pleno sertão, para a mulher, perder a virgindade era como ficar órfã uma segunda vez, ou ainda pior, ter que carregar pelo restante dos seus dias uma pecha que a marcaria em definitivo, qual doença contagiosa, situação em que todos dela se afastavam por medo da contaminação. Era quase um crime. Se não tivesse posses, família que a amparasse ou uma boa profissão, para não mendigar ou passar fome, não teria outra alternativa que a da prostituição. E como não houvesse mais opção, aí se enquadrou a nossa protagonista.

Na realidade, Ana Cristina procurara os ofícios do padre mais para um desabafo, confiante no apoio de um ombro amigo que a consolasse dos sofrimentos que a martirizavam, do que para uma confissão propriamente dita. O padre, por sua vez, não era habituado a consolar, a sensibilizar-se com o sofrimento alheio, apesar de fazer parte do seu ofício. Dava conselhos, sim, orientava os que o procuravam, mas, no fundo, era indiferente e insensível.

- Sr. Padre, sou como já disse, uma pecadora que sobrevive de suas próprias carnes. Ando atormentada por não me ter surgido uma oportunidade de mudar de vida, de ter um trabalho descente, um companheiro e filhos. Sou, por esta razão, obrigada a servir a todo aquele que me paga para satisfazer os seus caprichos...

- Tudo, bem, já entendi, portanto, poupe-me dos detalhes. Lembre-se que está na Casa de Deus!

- Sim, Sr. Padre, não descerei às minúcias, apenas estou tentando me fazer compreender melhor, posto que o senhor, como homem de Deus, não deve saber muito dessas coisas.

- E não sei mesmo, mas, como você pode ver, sou um homem maduro e já ouvi muitas conversas semelhantes.

- Não mentirei, ao discorrer sobre a minha condição de mulher perdida, que não sinto um certo prazer ilusório, é claro, mas, passados aqueles momentos, quando caio em mim, vem o desgosto de ser o que realmente sou, aquela consternação lancinante que fere o oprime a alma.

- Por que não se dispõe a trabalhar, fazer alguma coisa útil na vida. Um emprego de doméstica, por exemplo de deixa essa vida de pecado?

- Já tentei. Entretanto, não é fácil. O preconceito ainda é muito grande, sem contar que, por ser jovem e bela, patrões e filhos não me deixaram trabalhar em paz com seus assédios e ameaças.

A confissão prosseguia em seu ritmo normal, porém, um tanto desagradável porque o padre, impassível e quase mudo, ouvia atentamente, mas não se apiedava daquela pobre alma que procurara em seu confessor o auxílio necessário à fortaleza de sua fé, o consolo para as dores que a premiam e laceravam seu coração de mulher sofrida. As lágrimas já se faziam visíveis sobre suas faces e mesmo quase que implorando uma palavra de conforto, pela sua triste narrativa, não era atendida em seu anseio. A indiferença do pároco fazia dela ainda mais infeliz. Felizmente, encerrou acrescentando:

- Pronto, seu padre. Espero a sua absolvição. Dê-me a penitência que melhor lhe aprouver.

- Não posso absolvê-la enquanto não mudar de vida. Saia dessa lida pecadora, case-se ou entre para um convento e venha aqui para concluirmos a confissão.

A decepção da moça era evidente. Um acesso de raiva invadiu seu corpo, mas, conteve-se, em respeito ao ambiente. Calou-se por um instante e pediu mentalmente a proteção de seus santos prediletos e do seu Anjo da Guarda, obtendo, desse modo, o controle da situação. Ato contínuo, num átimo, sentiu-se tomada por uma energia singular, talvez por haver desabafado, por ter dado vazão à mágoa represada em seu ser e pela pequena prece feita em silêncio, ponderou a conjuntura e arrazoou:

- Como? O Sr. me nega o perdão mesmo depois que eu me abri com o senhor e fiz, quem sabe, uma das mais sinceras confissões que o senhor já ouviu em todo o seu ministério? Não acredito.

- Pois acredite porque é a pura realidade. Não posso fugir aos meus princípios e deixar que os pecados superem a fé. Tenho de estar vigilante em cumprindo o meu dever de pároco, de cristão e de obediência aos ditames da Santa Sé.

- Sim, eu compreendo. Porém, lhe pergunto Sr. Vigário, por que os senhores pregam do púlpito, em sermões eloquentes, prenhes de belas frases, consoladoras muitas delas, de textos evangélicos que exaltam o nome de Deus Pai Misericordioso e de Cristo, com sua pregação piedosa, quando na prática, essa mesma Igreja nega o perdão dos pecados? Como conciliar? Somente aos pecadores é dado observar os mandamentos em favor da Igreja que se considera isenta? Onde está a caridade, cuja prática nos é exortada, porém, negligenciada por muitos dos chamados Homens de Deus?

Talvez estejamos ainda sob a ação dos resquícios nefastos da impiedosa Santa Inquisição, que ora dita seus autos de maneira diferente, mais branda, porém sutil.

Nem mesmo Cristo com toda autoridade moral que dispunha, condenou Madalena. Eu, contudo, não alcancei misericórdia de um ministro de sua Representação aqui na Terra que, equivocadamente pressupondo-se juiz investido de toga impoluta, ousou atirar-me a primeira pedra. Só me falta ser anátema. Oh Deus, tende piedade de mim!

Dito isto, benzeu-se e, como não havia mais nada a fazer ali, retirou-se desolada, abatida.

Padre Mariano ainda indiferente, não deu muita atenção ao que ouvira, indo cuidar dos seus afazeres habituais.

Mas, com o passar do tempo, percebeu que algo não estava bem com ele mesmo, pois, de vez em quando, lembrava-se das palavras daquela moça que, sem intenção alguma lhe improvisara a maior admoestação espiritual de toda sua vida.

Na missa da tarde daquele dia, era visível o abatimento do padre que tentava dissimular o seu incômodo estado depressivo. Não que estivesse doente fisicamente, mas, tomado por um sentimento de culpa que lhe invadia o íntimo. A lição recebida ecoava em seu cérebro qual ribombar de trovão precedido de raios que atingiam em cheio a sua alma, dilacerando-lhe o peito.

Findo o ato religioso, - que pela primeira vez teve sua formalidade quebrada, o que não passou despercebido pelos fies que sussurravam comentários a respeito da mudança no ritual litúrgico, - o padre recolheu-se em seus aposentos na Casa Paroquial e foi refletir melhor sobre o acontecimento. Orou, primeiramente, pedindo inspiração. Meditou por alguns minutos, leu trechos bíblicos do Antigo e do Novo Testamento e por fim, tomado de profundo arrependimento, pediu clemência a Deus e chorou copiosamente.

Daquele dia em diante os fies puderam contar com um padre menos severo, até porque não se muda da água pro vinho num piscar de olhos, mas, com o tempo, tornou-se mais compassível, mais humano, dando maior atenção aos conflitos daqueles que o procuravam.

Com a ajuda de paroquianos localizou Ana Cristina, a quem pediu o seu perdão, no que foi prontamente atendido, fazendo dela, a partir daquele momento, a sua melhor amiga.

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Torturas Medievais

Caros amigos visitantes

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O texto que se segue é um trecho do capítulo 1 do Livro VIGIAR E PUNIR de Michel Fucault, onde o mesmo narra uma cena ocorrida em Paris, por ocasião do cumprimento de uma sentença de um parricídio.

Trata-se de um espetáculo bárbaro de uma crueldade sem precedente, digno dos mais cruentos filmes de terror.

Antromsil

VIGIAR E PUNIR - Michel Fucault

 

“Primeira Parte

SUPLÍCIO

Capítulo I

O corpo dos condenados

[Damiens fora condenado, a 2 de marco de 1757], a pedir perdão publicamente diante da porta principal da Igreja de Paris [aonde devia ser] levado e acompanhado numa carroça, nu, de camisola, carregando uma tocha de cera acesa de duas libras; [em seguida], na dita carroça, na praça de Greve, e sobre um patíbulo que ai será erguido, atenazado nos mamilos, braços, coxas e barrigas das pernas, sua mão direita segurando a faca com que cometeu o dito parricídio, queimada com fogo de enxofre, e as partes em que será atenazado se aplicarão chumbo derretido, óleo fervente, piche em fogo, cera e enxofre derretidos conjuntamente, e a seguir seu corpo será puxado e desmembrado por quatro cavalos e seus membros e corpo consumidos ao fogo, reduzidos a cinzas, e suas cinzas lançadas ao vento.(1)

Finalmente foi esquartejado [relata a Gazette d'Amsterdam]. (2) Essa ultima operação foi muito longa, porque os cavalos utilizados não estavam afeitos a tração; de modo que, em vez de quatro, foi preciso colocar seis; e como isso não bastasse, foi necessário, para desmembrar as coxas do infeliz, cortar-lhe os nervos e retalhar-lhe as juntas...

Afirma-se que, embora ele sempre tivesse sido um grande praguejador, nenhuma blasfêmia lhe escapou dos lábios; apenas as dores excessivas faziam-no dar gritos horríveis, e muitas vezes repetia: "Meu Deus, tende piedade de mim; Jesus, socorrei-me". Os espectadores ficaram todos edificados com a solicitude do cura de Saint-Paul que, a despeito de sua idade avançada, não perdia nenhum momento para consolar o paciente.

[O comissário de policia Bouton relata]: Acendeu-se o enxofre, mas o fogo era tão fraco que a pele das costas da mão mal e mal sofreu. Depois, um executor, de mangas arregaçadas acima dos cotovelos, tomou umas tenazes de aço preparadas ad hoc, (de propósito; adrede; intencionalmente) medindo cerca de um pé e meio de comprimento, atenazou-lhe primeiro a barriga da perna direita, depois a coxa, dai passando as duas partes da barriga do braço direito; em seguida os mamilos. Este executor, ainda que forte e robusto, teve grande dificuldade em arrancar os pedaços de carne que tirava em suas tenazes duas ou três vezes do mesmo lado ao torcer, e o que ele arrancava formava em cada parte uma chaga do tamanho de um escudo de seis libras.

Depois desses suplícios, Damiens, que gritava muito sem contudo blasfemar, levantava a cabeça e se olhava; o mesmo carrasco tirou com uma colher de ferro do caldeirão daquela droga fervente e derramou-a fartamente sobre cada ferida. Em seguida, com cordas menores se ataram as cordas destinadas a atrelar os cavalos, sendo estes atrelados a seguir a cada membro ao longo das coxas, das pernas e dos braços.

O senhor Le Breton, escrivão, aproximou-se diversas vezes do paciente para lhe perguntar se tinha algo a dizer. Disse que não; nem é preciso dizer que ele gritava, com cada tortura, da forma como costumamos ver representados os condenados: "Perdão, meu Deus! Perdão, Senhor". Apesar de todos esses sofrimentos referidos acima, ele levantava de vez em quando a cabeça e se olhava com destemor. As cordas tão apertadas pelos homens que puxavam as extremidades faziam-no sofrer dores inexprimíveis. O senhor Le Breton aproximou-se outra vez dele e perguntou-lhe se não queria dizer nada; disse que não. Achegaram-se vários confessores e lhe falaram demoradamente; beijava conformado o crucifixo que lhe apresentavam; estendia os lábios e dizia sempre: "Perdão, Senhor".

9 ▲

Os cavalos deram uma arrancada, puxando cada qual um membro em linha reta, cada cavalo segurado por um carrasco. Um quarto de hora mais tarde, a mesma cerimônia, e enfim, apos varias tentativas, foi necessário fazer os cavalos puxar da seguinte forma: os do braço direito a cabeça, os das coxas voltando para o lado dos braços, fazendo-lhe romper os braços nas juntas. Esses arrancos foram repetidos varias vezes, sem resultado. Ele levantava a cabeça e se olhava. Foi necessário colocar dois cavalos, diante dos atrelados as coxas, totalizando seis cavalos. Mas sem resultado algum.

Enfim o carrasco Samson foi dizer ao senhor Le Breton que não havia meio nem esperança de se conseguir e lhe disse que perguntasse as autoridades se desejavam que ele fosse cortado em pedaços. O senhor Le Breton, de volta da cidade, deu ordem que se fizessem novos esforços, o que foi feito; mas os cavalos empacaram e um dos atrelados as coxas caiu na laje. Tendo voltado os confessores, falaram-lhe outra vez. Dizia-lhes ele (ouvi-o falar): "Beijem-me, reverendos". O senhor cura de Saint-Paul não teve coragem, mas o de Marsilly passou por baixo da corda do braço esquerdo e beijou-o na testa. Os carrascos se reuniram, e Damiens dizia-lhes que não blasfemassem, que cumprissem seu oficio, pois não lhes queria mal por isso; rogava-lhes que orassem a Deus por ele e recomendava ao cura de Saint-Paul que rezasse por ele na primeira missa.

Depois de duas ou três tentativas, o carrasco Samson e o que lhe havia atenazado tiraram cada qual do bolso uma faca e lhe cortaram as coxas na junção com o tronco do corpo; os quatro cavalos, colocando toda forca, levaram-lhe as duas coxas de arrasto, isto e: a do lado direito por primeiro, e depois a outra; a seguir fizeram o mesmo com os braços, com as espáduas e axilas e as quatro partes; foi preciso cortar as carnes ate quase aos ossos; os cavalos, puxando com toda

forca, arrebataram-lhe o braço direito primeiro e depois o outro.

Uma vez retiradas essas quatro partes, desceram os confessores para lhe falar; mas o carrasco informou-lhes que ele estava morto, embora, na verdade, eu visse que o homem se agitava, mexendo o maxilar inferior como se falasse. Um dos carrascos chegou mesmo a dizer pouco depois que, assim que eles levantaram o tronco para o lançar na fogueira, ele ainda estava vivo. Os quatro membros, uma vez soltos das cordas dos cavalos, foram lançados numa fogueira preparada no local sito em linha reta do patíbulo, depois o tronco e o resto foram cobertos de achas e gravetos de lenha, e se pos fogo a palha ajuntada a essa lenha.

...Em cumprimento da sentença, tudo foi reduzido a cinzas. O ultimo pedaço encontrado nas brasas só acabou de se consumir às dez e meia da noite. Os pedaços de carne e o tronco permaneceram cerca de quatro horas ardendo. Os oficiais, entre os quais me encontrava eu e meu filho, com alguns arqueiros formados em destacamento, permanecemos no local ate mais ou menos onze horas.

Alguns pretendem tirar conclusões do fato de um cão se haver deitado no dia seguinte no lugar onde fora levantada a fogueira, voltando cada vez que era enxotado. Mas não é difícil compreender que esse animal achasse o lugar mais quente do que outro. (3)”

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APRENDIZ DE PREFEITO

 

Um conto de Antromsil

NOTA – esta é uma obra de ficção e como tal deve ser entendida. Qualquer semelhança com algum caso real será mera coincidência.

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Imagem meramente ilustrativa.

 

Numa pequena cidade (fictícia) do interior nordestino, chamada de Flor-do-campo, no estado (também fictício) de Platina, a agitação é grande por causa da aproximação das eleições. Os partidos se articulam para formar alianças para a escolha do melhor nome que possa unificar e melhor representar as suas siglas partidárias. A população também especula qual será o candidato A, qual será o candidato B, de forma que quase todos os colóquios de rua e mesmo entre familiares era a definição dos próximos pretendentes à prefeitura e a câmara municipal.

Feitas as coligações e definidas as posições, os nomes são aprovados nas convenções partidárias e registradas no Tribunal para comprimento das formalidades da lei, sendo que dois nomes apareceram, dentre os escolhidos pela situação e pelo bloco da oposição, como sendo uma candidatura de consenso.

O primeiro, Sr. Felício Mendes, candidato já conhecido da população e de tradicional família da região, representava o lado situacionista. O segundo, do bloco da oposição e formado pelos partidos menores, foi escolhido um cidadão de classe média, o Sr. Severino José da Silva, como uma alternativa dentre os pré-candidatos para evitar um racha, o que, inevitavelmente provocaria um impasse e inviabilizaria uma candidatura de oposição, abrindo o precedente de uma candidatura única para o município, o que, a bem da verdade, era inadmissível.

Sr. Severino José da Silva era uma pessoa bem relacionada na cidade. Médio comerciante, também tinha algumas terras, jovem ainda, pois, tinha somente 41 anos de idade, 2º grau incompleto, vivaz, cordial e prestativo, porém como ninguém é perfeito, também era um pouco estouvado e inconseqüente e estava se envolvendo em política pela primeira vez, pois, pra falar a verdade, nem estava muito interessado.

Como acontece a maioria das vezes em nossa região, a cidade também tinha os seus próceres, os quais durante muito tempo, tinham o domínio das rédeas do poder e há muito não encontravam um oponente à altura, capaz de lhes encarar frente a frente. Os vícios eram os mesmos que já são do nosso conhecimento: muita promessa, muita falácia e nada de desenvolvimento da cidade. Prometia-se como sem falta e faltava-se como sem dúvida, razão pela qual o eleitorado não estava lá muito satisfeito com a indicação do Sr. Felício Mendes, por ser o mesmo um continuador da política contaminada da embromação, do apadrinhamento político, da barganha, dos conchavos e do nepotismo.

Tal descontentamento favoreceu os opositores políticos que aproveitaram a deixa, e cujo resultado, -- embora não esperado por grande parte dos políticos locais e da população que conhecia os métodos de persuasão e pressão utilizados pelos situacionistas, -- foi a eleição do Sr. Severino, em primeiro turno, para desespero dos chefes políticos da cidade e seus simpatizantes.

A agitação foi geral! Passeatas, faixas, bandeiras e cartazes conduzidos pelas ruas, foguetório, uma grande festa; afinal, era o acontecimento do ano. É claro que houve contestação por parte da oposição, que descontente com os resultados das urnas tentou, debalde, embargar algumas delas alegando votação fraudulenta.

Antes da posse foi reunida a família, (incluindo alguns amigos), e, nesta ocasião foram traçados planos, dadas algumas sugestões, além de alguns conselhos quanto ao procedimento do novo prefeito, para não incorrer nos mesmos erros dos seus antecessores e para que procurasse fazer um bom trabalho, pois, patriarca da família, Sr. Balbino José da Silva, gostaria ver o nome da família inscrito com notoriedade na história do município, apesar de não ser uma família de tradições políticas.

Em conversa particular com o filho, indicou um cidadão chamado Samuel de Menezes Braga como seu secretário particular, por ser este uma pessoa com conhecimentos em administração, visto que era funcionário público aposentado e por haver trabalhado na prefeitura de São Paulo e que, embora não fosse da cidade, havia ma de encarar frente a frente; estava muito interessado.embargar algumas delas alegando votaçdas urnas tentou debalde,muitos anos ali radicado, porque escolhera como esposa uma cidadã florcampense.

-- Você precisa nomear o Samuel, meu filho, porque você vai precisar de alguém com vivência, que possa lhe orientar em algumas dificuldades e esse homem conhece bem o assunto. Você não lidará somente com o povo; terá que se entender com políticos eminentes e com todas as autoridades constituídas, pela importância do seu cargo.

-- O Sr. Tem razão, pai. A minha experiência como agropecuarista, comerciante e pai de família é insuficiente. Dirigir os rumos de uma cidade como a nossa, que, embora seja pequena requer dedicação e um trabalho bem elaborado. Não quero lhe decepcionar, meu pai, e nem decepcionar a mim mesmo! Palavra de honra!

O Sr. Samuel era uma pessoa conhecida e respeitada pelo seu caráter de homem sério, ilibado e simpático. Tinha como defeito apenas o hábito de tomar uma pinga com os amigos, mas, sem excessos. Vez por outra, também fumava um cachimbo e dava uma escapulida com alguma cocote da região, porque ninguém é de ferro. Quando da sua nomeação, pediu somente não tomar parte ou conhecimento de alguma coisa ilícita, no que foi aceito.

-- Os meus primeiros conselhos, meu caro jovem, são:

1º - Que não seja imprudente; pense bastante, medite o quanto puder quando tiver de tomar uma decisão importante. Prudência e caldo de galinha não fazem mal a ninguém.

2º - Seja humilde. Não se ache a pessoa mais importante do mundo, pois o mundo pode não pensar o mesmo de você.

3º - Seja também paciente. A pressa é inimiga da perfeição.

4º Não radicalize, isto é, seja flexível quando necessário; porém, seja inexorável se situação assim o exigir.

5º - Orgulho e egoísmo são os nossos piores defeitos. Ninguém é perfeito, eu sei, mas procure combater esses males que habitam o coração de toda humanidade e emperram o nosso progresso moral. Não se deixe levar pelo envaidecimento quando alguém lhe dirigir um elogio. O elogio deve ser entendido como um estímulo, um incentivo. Na sua nova função, não pense somente no que é bom para você mesmo; você irá dirigir o município em prol de toda uma comunidade, portanto, pense no coletivo; cuide do povo como se estivesse cuidando da família.

Em segundo lugar, quando assumir o cargo:

1º - Não queira criar novos cargos desnecessários somente para satisfazer aos seus pares ou a você mesmo. O exemplo deve começar pelo titular. Não ceda às pressões; faça concessões somente se forem justas e necessárias ao bom andamento da administração.

2º - Não assine nenhum documento sem antes ler ou tenha sido lido por alguém de sua extrema confiança, pois entre alguns documentos a serem assinados pode vir algum de conteúdo malicioso ou mesmo danoso aos cofres públicos, que, depois de assinados podem causar embaraços à sua administração.

Inicia-se um novo governo na cidade de Flor-do-campo. Muita coisa teria que ser consertada; muito mais teria de ser modificada pela simples razão de que, quem sai deixa somente desordem. Dinheiro em caixa, que é bom, somente uns poucos níqueis e muita conta a saldar.

Definidas as funções, traçados os todos os planos, o novo gabinete começa a trabalhar. Em sua primeira reunião, cuja pauta era arrumar a casa e o enxugamento da folha de pagamento, foi feito um levantamento da real situação do município e verificou-se que esta estava em desacordo com a Lei Orgânica do Município e com a receita, dentre outras irregularidades.

-- Temos que cortar na própria carne se preciso for para corrigir esses erros – falou o prefeito.

-- Mas, por outro lado não devemos criar embaraços com os vereadores, pois, vamos precisar dos mesmos para a aprovação dos seus projetos, falou o Secretário de Obras.

-- Alguns dos nossos vereadores também têm os seus apadrinhados. Teremos que agradar a gregos e troianos se não quisermos insatisfações, acresceu o Secretário da Saúde.

A conversa foi longa e não foi possível se chegar a um acordo, porque o prefeito não queria criar situações embaraçosas e marcou uma segunda reunião para o dia seguinte.

Já em seu gabinete, convocou o seu Secretário particular que, solícito, lhe acorreu.

-- O que você me diz sobre reunião?

-- Você foi muito bem, meu caro senhor. Vá com calma; mas tente convencê-los de que o tempo urge e que as pessoas sérias desta cidade acreditam que a atual administração é capaz de moralizar os serviços públicos tão aviltados nas gestões passadas.

-- Devo fazer algumas cessões?

-- Sim, porém por pouco tempo, até que eles se acostumem com o seu modo de agir.

Assim foi feito. A folha de pagamento não foi completamente enxuta desta vez. Porém, após consultar o seu conselheiro, resolveu que não ficaria enclausurado em seu gabinete. Queria conhecer de perto todas as repartições, escolas, postos de saúde, hospital, etc., para verificar as carências e poder melhorar o atendimento ao público. Na primeira repartição visitada foi solicitada a folha de presença dos funcionários na qual constava a assinatura de todos, porém cinco estavam ausentes: um morava no município vizinho, outros dois nunca apareciam, a não ser para receber o salário. O prefeito quis engrossar, porém foi contido com um toque de cotovelo pelo seu conselheiro que o acompanhava.

-- Onde está o secretário?

-- Em sua residência. Saiu para tratar um assunto de família – disse a secretária.

-- Às 14:00h em ponto eu quero falar com ele em meu gabinete.

-- Quero que a senhora se encarregue arrumar essa desordem! Ponha tudo no seu devido lugar e me faça um relatório que está faltando para que esta casa funcione em perfeita harmonia! Faça-me também o favor de ir pessoalmente falar comigo levando todos os dados dos funcionários lotados nesta repartição e os livros de ponto, à mesma hora!

A repartição visitada a seguir se assemelhava à primeira em desalinho e assim a terceira, a quarta, etc., e, dentre as anomalias encontradas, foram detectadas a ausência de computadores que estavam sedo usados por funcionários em suas residências, veículos a serviço de terceiros ou usados para o lazer de funcionários, bem como outros equipamentos. Havia dentre os funcionários mais graduados uso de celulares cuja fatura era paga, adivinha por quem? Foram também detectados funcionários analfabetos de pai e mãe percebendo salários como professores, funcionários falecidos ainda constando na folha de pagamento, etc.

À exceção de uma escola da cidade, todas as repartições da sede e dos distritos apresentavam alguma irregularidade, o que fez o prefeito tomar a resolução de habitualmente visitar, sem aviso prévio e em qualquer dia da semana, uma determinada repartição, e semanalmente fazer uma reunião com uma delas, em particular.

A chiadeira foi imensurável! Pessoas havia com cerca de 20 anos “prestando serviço” ao municio e nunca tinha levado um falta, embora muitas vezes passasse de mês sem pisar no emprego. Aqueles que moravam fora do município estavam então arrasados. Pra quem apelar se os seus protetores haviam perdido a eleição?

Entretanto o prefeito foi enérgico. Chamou todos os responsáveis a prestar esclarecimentos, demitiu os inúteis e puniu os faltosos.

Seus antagonistas não ficaram passíveis e recorreram à justiça em favor de seus protegidos.

-- E agora, Samuel? Estou sendo pressionado pelos aliados e até por alguns amigos.

-- Tenha calma. Faça um edital de concurso convocando o pessoal interno e externo, conforme o que está disposto na lei, até porque o município está crescendo e carece de mais mão de obra. Acione o advogado da prefeitura para que conteste as ações impetradas. É assim que funciona. Mas aja com firmeza.

-- Quanto ao advogado, este não é lá muito confiável, apesar de ser dos bons e ser um dos nossos parceiros.

-- Pressione-o; substitua-o, se for o caso. Você já comprou a briga. Agora é pagar pra ver o resultado.

-- Os problemas se acumulam um sobre o outro, Samuel. Os vereadores em geral, não só os da oposição, estão criando obstáculos para a aprovação de alguns projetos importantes para o desenvolvimento da cidade alegando estarem sendo preteridos em favor do povo.

-- Faça uma reunião quinzenal com os mesmos e use o seu poder de persuasão. Eles não ficarão insensíveis; só estão mal acostumados devido ao longo tempo em que esses vícios foram perpetrados. Faça também encontros sociais com os mesmos e seus familiares em locais agradáveis como sítios, praias, fazendas, etc., enfim dê festas, dê presentes e trate-os com carinho. Faça algum tipo de concessão como, por exemplo, uma vaga de emprego para cada um dos mais endurecidos. O ser humano gosta de agrados.

-- Peraí, Samuel, você mesmo me aconselhou a acabar com cabide de empregos. E agora vem com essa de fazer concessões.

-- Calma, meu caro jovem, esqueceu-se da primeira lição? É claro que você não dará empregos permanentes vinculados à prefeitura. Você obterá esses empregos com as empresas terceirizadas. Basta que você, aos poucos as solicite dos seus prestadores e eu garanto que nenhum vai lhe negar.

-- Ai está o problema. Só temos um prestador terceirizado.

-- Escute-me com atenção. Se você quer fazer um trabalho refinado nesta prefeitura terá de solucionar vários problemas e esse é um deles. As oficinas do município, por exemplo, vivem cheias de mecânicos, pintores, eletricistas, etc. e tal, cheias de gente abanando as mãos, quando lá são encontrados. Outras repartições, apesar da filtragem que foi feita, ainda têm escolhos a excretar. Esse pessoal imprestável deve ser demitido. Existem três motoristas para cada veículo da nossa frota e, quando se necessita de um deles, temos que procura-los e mesmo assim nem sempre estão dispostos a prestar o serviço que é de sua obrigação, um verdadeiro absurdo! É aí que entra a terceirização. Na empresa privada o trabalhador preguiçoso ou inútil é logo despachado.

-- Vai dar conflito novamente!

-- Chame-os e faça acordos; pague-lhes os direitos trabalhistas, se for o caso, e pronto! Falta muito pouco para que você vença a primeira batalha, portanto, não dê trégua ao inimigo, mate-o pelo cansaço. Tenho certeza absoluta que eles recuarão, pois, na verdade, eles não vão gastar o dinheiro que não possuem; seus protetores tomaram suas dores somente por capricho, mas, não vão perpetuar essa disputa que não lhes interessa mais; não vão gastar dinheiro com pessoas pequenas e que não são da família. Esta é a hora de se tornar inquebrantável.

-- Então mãos a obra! Começarei amanhã mesmo.

Desse modo, com medidas cautelosas, porém rígidas, as coisas vão se ajustando à maneira do novo alcaide que não mede esforços para cumprir o dever que lhe foi confiado. Quando queria fraquejar levava um novo choque de otimismo do seu conselheiro para renovar suas energias.

-- Parabéns, meu jovem, seu nome está estampado em vários jornais do estado apontando-o como um dos melhores prefeitos da atualidade! As nossas emissoras de rádio e televisão, salvo as do outro lado, também estão divulgando notícias excelentes a nosso respeito. Mas ainda falta muito. Por exemplo: uma devassa no emprego das verbas da saúde; uma revisão dos inscritos no Bolsa Família, a Merenda Escolar, as licitações e outros itens ainda não devidamente fiscalizados.

As irregularidades eram patentes em todas as áreas investigadas. Nenhuma sequer que estivesse isenta de erros ou fraudes as mais grosseiras possíveis o que suscitou um uma nova situação embaraçosa. Dois parentes, um tio e um primo de Severino, que não mereciam tal benefício, também estavam inscritos no Bolsa Família.

-- Mas, meu sobrinho, como é que você tem coragem de fazer isso com a gente?

-- Caro tio Joaquim, nem o Sr. e nem o Raimundo têm direito e nem precisam desse benefício. Se eu concedê-lo ao senhor e ao meu primo estarei cometendo um crime!

-- Mas como os outros faziam assim e dava tudo certo?

-- Sorte deles que nunca foram denunciados. Isto se constitui em falta de ética, de probidade. Eu não estou querendo repetir os erros deles, meu tio. Espero que o senhor compreenda. Quero lhe ser útil em outras necessidades e em outra ocasião. Eu lamento, mas, não posso.

Um ano havia se passado e o nosso prefeito continuou trabalhando, não obstante os percalços do caminho. Já se sentia um pouco aliviado do peso da carga a que estava submetido. Como depois da tempestade vem a bonança, começava a colher, de mancheias, os frutos de seu trabalho. Era respeitado e pode-se dizer, até venerado por alguns mais fanáticos.

-- Agora que está tudo em ordem, a casa, as finanças, tenho alguns projetos em mente para alavancar o progresso de Flor-do-campo. Em primeiro lugar a criação de uma escola profissionalizante em convênio Governo do Estado. Consegui verbas federais para a construção da ponte do lado oeste e do dique para acabar com os problemas das enchentes. Fizemos também convênios com outras entidades como SENAC, SESC, SEBRAE, pois quero incrementar o potencial produtivo com artesanato, cerâmica, produtos agrícolas como o mel de abelha, frutas, legumes, etc. Quero revitalizar a Praça Central e gostaria de algumas sugestões suas, Samuel.

Os projetos foram expostos e alguns pontos que não estavam nos eixos foram corrigidos; algumas sugestões aceitas, outras recusadas e feitas algumas anotações. Após aprovados foram licitados e, fincadas as pedras fundamentais, os trabalhos foram iniciados. A cada cinco ou seis meses uma obra era inaugurada com a pompa merecida. A cidade mudava de aspecto, agora um pouco mais alegre que antes. O progresso era visível.

Passaram-se três anos e a cidade crescia e prosperava. Era freqüentemente visitada pelos conterrâneos que moravam fora do município e até turistas que queriam ver de perto a nova Flor-do-campo.

Aproximava o próximo pleito e começava a especulação em torno dos nomes sugeridos; a agitação tomava conta dos assuntos conversados. O partido se reúne para a homologação do nome que seria apresentado à convenção do Partido e, é claro, todos queriam a reeleição de Severino.

-- O senhor é a melhor opção que temos em nosso partido, embora os nossos aliados nos tenham indicado alguns nomes respeitáveis. Gostaríamos de contar com o senhor para mais um mandato.

-- Caros confrades e conterrâneos. Estou muito feliz em ter prestado um bom serviço à nossa causa. Estou feliz por estar cumprindo um dever como cidadão e como filho desta terra tão sofrida não só pelas secas e pela escassez de víveres, mas também pelo descaso dos seus outros filhos mais abastados que não souberam norteá-la. Fico feliz em saber que hoje estamos vivendo dias melhores, porém, precisamos fazer muito mais. Entretanto, necessito repor minhas forças, tenho que retomar a minha rotina, cuidar dos meus afazeres e o principal, cuidar da família que, neste ínterim, não teve a atenção devida. Agradeço aos senhores e ao povo em geral pela confiança que me foi depositada, mas por agora, não estou disposto. Quem sabe, nas eleições seguintes a esta que se aproxima, esteja eu disposto a novamente lutar um bom combate! Gostaria, se os senhores me permitem, apresentar um nome de todos conhecido e que foi o mentor de muitas das minhas tomadas de decisão; que foi, por assim dizer, a segunda metade da minha consciência. Se os senhores aquiescerem à minha proposta não terão de que se arrepender, pois, a ele devo o prestígio que hoje tenho e com ele aprendi a ser o político que sou. Trata-se, portanto, do meu secretário particular, o Sr. Samuel.

Todos se levantaram e ovacionaram o Sr. Severino.

Por Romão Silva.

GLOSSÁRIO

 

Mera = mero =1 adj. 1. Simples. 2. Genuíno, sem mistura.

Colóquio = s. m. Conversação ou palestra entre duas ou mais pessoas.

Estouvado = adj. 1. Que faz as coisas sem cuidado, leviana ou precipitadamente. 2. Imprudente. 3. Folgazão. 4. Que pensa pouco.

Inconseqüente = adj. m. e f. 1. Em que há inconseqüência. 2. Inconsiderado. 3. Contraditório. S. m. e f. Pessoa inconseqüente.

Próceres = (pl. de prócer) -[Do lat. procere.] S. m. 1. Homem importante em uma nação, classe, partido, etc. Prócere.

Falácia = s. f. 1. Qualidade de falaz. 2. Engano, logro, burla.

Barganha = s. f. 1. Troca. 2. Transação fraudulenta; trapaça. Var.: berganha.

Conchavos = s. m. 1.Ato de conchavar. 2. Combinação, acordo, ajuste. 3. Maquinação, trama, conluio. 4. Bras. S. Emprego ou serviço doméstico.

Nepotismo = s. m. Favoritismo; patronato.

Debalde = adv. Inutilmente; em vão; baldadamente; embalde.

Cocote = [Do fr. cocotte.] s.f.. 1.Meretriz. 2. Mulher elegante, de costumes fáceis. [Cf. cocota.]

Probidade = s. f. Honradez; pundonor; integridade de caráter.

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Malandragem

A malandragem continua dando as ordens

A malandragem desde muito tempo tem causado transtornos à humanidade e hoje em dia evoluiu de uma forma impressionante.

Como ninguém toma uma providência e a sociedade não cobra das autoridades e nem a imprensa divulga para chamar a atenção com a ênfase que os casos requerem os indivíduos dados a essas práticas danosas vão se dando bem e aumentando em número, multiplicando-se como bactérias.

Os chamados “flanelinhas” estão mais espertos agora. Cobram o “cliente”, (que deveria ser chamado de vítima), antes, ou seja, na hora que este chega. Feito isto, quando não há mais vaga no local por eles loteado, vão-se embora e fica por isso mesmo, como aconteceu neste fim de semana aqui em Sobral, por ocasião do exame do vestibular da UVA.

image E tem mais, o valor a ser pago, isto é, a extorsão, é determinada pelos mesmo que impõem suas próprias exigências e a maior das vezes, o cidadão paga, a contra gosto, é claro, para não ver o seu veículo avariado por tais elementos que podem, caso a gente se negue a pagar o que eles querem, por um ato de represália, quebrar uma peça como lanterna, farol, etc.., ou mesmo em último caso, arranhar a pintura, coisas que já foram constatadas por alguns proprietários de veículos.

Se pelo menos tais indivíduos fizessem o trabalho a que se propõem, seria bom, muito embora ninguém seja obrigado a pagar por um serviço que não solicitou que se fizesse, pois, a rua sendo pública é de todos.

A Polícia e a Guarda Municipal fazem vista grossa a esse tipo de comportamento e exercem uma repressão bem mais rigorosa quando se trata de cidadãos cumpridores de seus deveres, como costuma acontecer cotidianamente, porém a pilantragem fica a vontade sem ser incomodada, deixando margem a se pensar que, de certo modo, os temem.

Já tenho feito alguns apelos às autoridades locais toda vez que me reporto a casos como estes que estou arrazoando, entretanto não foi possível sensibilizá-las. Fazer o que? Nada, rezar para que tudo dê certo.

Ademais, para termos o direito de usarmos os nossos veículos, estamos pagando imposto além do necessário, porque todos sabem o tamanho da nossa carga tributária em se tratando de posse veicular, que vai desde o IPI à Zona Azul.

antromsil

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INSENSATEZ CIENTÍFICA

INSENSATEZ

Por Antromsil

Espaço Eu tenho o maior respeito e admiração pela ciência e pelos cientistas, pelo trabalho belo e profícuo que estes vem fazendo ao logo da história da humanidade, mas essa mancada aí foi demais, não dá pra aceitar homens de ciência dizendo besteira.

Certas afirmativas que suscitam teorias mirabolantes, as quais alguns deles criam em suas mentes confusas, - talvez pelo labor intenso que estressa e abate, - são verdadeiras fantasias adornadas de ficção, urdidas com uma certa perícia, por certo, com explicações axiomáticas quase que totalmente convincentes. Digo quase porque elas sempre deixam uma ponta de dúvidas para os mais céticos, que esperam comprovação e não só a explicação em si.

Ora, essa proposição de enviar naves tripuladas a Marte só de ida é, além de estapafúrdia um convite ao suicídio, um martírio moderno em nome da ciência terrena, digno do fanatismo militar dos camicases japoneses ou do zelo religioso obsessivo dos homens-bomba do Taleban.

Para estupefação nossa ainda aparecem pessoas dispostas a se arriscar. O brado retumbante desses cientistas loucos encontra eco nas massas broncas, entre aqueles que não tem compromisso com a vida e que se oferecem como voluntários. De médico e louco todos nós temos um pouco, diz o ditado, entretanto, chego a pensar que temos mais de loucos que de médicos, somos doidos varridos se dermos crédito a tal proposta, pela insensatez de seus autores.

O homem terráqueo se acha o dono do mundo, super evoluído e imagina que somente este pequenino grão de poeira estelar é habitado, que não existe algures do universo outras civilizações milhares de vezes mais evoluída que a nossa. Ledo engano. Longe está de conhecer a sua própria morada e já tem teorias de como surgiu o universo, o Big Bang e nos tem tentado convencer de que houve uma explosão inicial provocada não se sabe por que, nem quando e nem o que teria provocado tal explosão, ou seja, além do próprio enigma em si, ele inventa mais outros dos quais não tem nem idéia de como enredar.

Antromsil

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LEITURA - A LENDA DO PEIXINHO VERMELHO

Retirado do prefácio do livro "LIBERTAÇÃO", de André Luiz

Psicografia de Francisco Cândido Xavier - Edição FEB

A lenda do Peixinho Vermelho

No centro de formoso jardim, havia um grande lago, adornado de ladrilhos azul- turquesa.

Alimentado por diminuto canal de pedra, escoava suas águas, do outro lado, através de grade muito estreita.

Nesse reduto acolhedor, vivia toda uma comunidade de peixes, a se refestelarem, nédios (luzidio, brilhante, nítido, de pele lustrosa) e satisfeitos, em complicadas locas, frescas e sombrias. Elegeram um dos concidadãos de barbatanas para os encargos de rei, e ali viviam, plenamente despreocupados, entre a gula e a preguiça.

Junto deles, porém, havia um peixinho vermelho, menosprezado de todos.

Não conseguia pescar a mais leve larva, nem refugiar-se nos nichos barrentos. Os outros, vorazes e gordalhudos, arrebatavam para si todas as formas larvárias e ocupavam, displicentes, todos os lugares consagrados ao descanso.

O peixinho vermelho que nadasse e sofresse.

Por isso mesmo era visto, em correria constante, perseguido pela canícula (grande calor atmosférico; pequena cana) ou atormentado de fome.

Não encontrando pouso no vastíssimo domicílio, o pobrezinho não dispunha de tempo para muito lazer e começou a estudar com bastante interesse.

Fez o inventário de todos os ladrilhos que enfeitavam as bordas do poço, arrolou todos os buracos nele existentes e sabia, com precisão, onde se reuniria maior massa de lama por ocasião de aguaceiros.

Depois de muito tempo, à custa de longas perquirições, (investigações; devassa; sindicância; indagações), encontrou a grade do escoadouro.

À frente da imprevista oportunidade de aventura benéfica, refletiu consigo:

- "Não será melhor pesquisar a vida e conhecer outros rumos?"

Optou pela mudança.

Apesar de macérrimo, (magríssimo; magérrimo) pela abstenção completa de qualquer conforto, perdeu várias escamas, com grande sofrimento, a fim de atravessar a passagem estreitíssima.

Pronunciando votos renovadores, avançou, otimista, pelo rego d'água, encantado com as novas paisagens, ricas de flores e sol que o defrontavam, e seguiu, embriagado de esperança...

Em breve, alcançou grande rio e fez inúmeros conhecimentos.

Encontrou peixes de muitas famílias diferentes, que com ele simpatizaram, instruindo-o quanto aos percalços da marcha e descortinando-lhe mais fácil roteiro.

Embevecido, (extasiado, enlevado), contemplou nas margens homens e animais, embarcações e pontes, palácios e veículos, cabanas e arvoredo.

Habituado com o pouco, vivia com extrema simplicidade, jamais perdendo a leveza e a agilidade naturais.

Conseguiu, desse modo, atingir o oceano, ébrio de novidade e sedento de estudo.

De início, porém, fascinado pela paixão de observar, aproximou-se de uma baleia para quem toda a água do lago em que vivera não seria mais que diminuta ração; impressionado com o espetáculo, abeirou-se dela mais que devia e foi tragado com os elementos que lhe constituíam a primeira refeição diária.

Em apuros, o peixinho aflito orou ao Deus dos Peixes, rogando proteção no bojo do monstro e, não obstante as trevas em que pedia salvamento, sua prece foi ouvida, porque o valente cetáceo começou a soluçar e vomitou, restituindo-o às correntes marinhas.

O pequeno viajante, agradecido e feliz, procurou companhias simpáticas e aprendeu a evitar os perigos e tentações.

Plenamente transformado em suas concepções do mundo, passou a reparar as infinitas riquezas da vida. Encontrou plantas luminosas, animais estranhos, estrelas móveis e flores diferentes no seio das águas. Sobretudo, descobriu a existência de muitos peixinhos, estudiosos e delgados tanto quanto ele, junto dos quais se sentia maravilhosamente feliz.

Vivia, agora, sorridente e calmo, no Palácio de Coral que elegera, com centenas de amigos, para residência ditosa, quando, ao se referir ao seu começo laborioso, veio a saber que somente no mar as criaturas aquáticas dispunham de mais sólida garantia, de vez que, quando o estio se fizesse mais arrasador, as águas de outra altitude, continuariam a correr para o oceano.

O peixinho pensou, pensou... e sentindo imensa compaixão daqueles com quem convivera na infância, deliberou consagrar-se à obra do progresso e salvação deles.

Não seria justo regressar e anunciar-lhes a verdade? Não seria nobre ampará-los, prestando-lhes a tempo valiosas informações?

Não hesitou.

Fortalecido pela generosidade de irmãos benfeitores que com ele viviam no Palácio de Coral, empreendeu comprida viagem de volta.

Tornou ao rio, do rio dirigiu-se aos regatos e dos regatos se encaminhou para os canaizinhos que o conduziram ao primitivo lar.

Esbelto e satisfeito como sempre, pela vida de estudo e serviço a que se devotava, varou a grade e procurou, ansiosamente, os velhos companheiros. Estimulado pela proeza de amor que efetuava, supôs que o seu regresso causasse surpresa e entusiasmo gerais. Certo, a coletividade inteira lhe celebraria o feito, mas depressa verificou que ninguém se mexia.

Todos os peixes continuavam pesados e ociosos, repimpados nos mesmos ninhos lodacentos, protegidos por flores de lotus, de onde saíam apenas para disputar larvas, moscas ou minhocas desprezíveis.

Gritou que voltara a casa, mas não houve quem lhe prestasse atenção, porquanto ninguém, ali, havia dado pela ausência dele.

Ridicularizado, procurou, então, o rei de guelras enormes e comunicou-lhe a reveladora aventura. O soberano, algo entorpecido pela mania de grandeza, reuniu o povo e permitiu que o mensageiro se explicasse.

O benfeitor desprezado, valendo-se do ensejo, esclareceu, com ênfase, que havia outro mundo líquido, glorioso e sem fim. Aquele poço era uma insignificância que podia desaparecer, de momento para outro. Além do escoadouro próximo desdobravam-se outra vida e outra experiência. Lá fora, corriam regatos ornados de flores, rios caudalosos repletos de seres diferentes e, por fim, o mar, onde a vida aparece cada vez mais rica e mais surpreendente. Descreveu o serviço de tainhas e salmões, de trutas e esqualos. Deu notícias do peixe-lua, do peixe-coelho e do galo-do-mar. Contou que vira o céu repleto de astros sublimes e que descobrira árvores gigantescas, barcos imensos, cidades praieiras, monstros temíveis, jardins submersos, estrelas do oceanos e ofereceu-se para conduzi-los ao Palácio de Coral, onde viveriam todos, prósperos e tranqüilos. Finalmente os informou de que semelhante felicidade, porém, tinha igualmente seu preço. Deveriam todos emagrecer, convenientemente, abstendo-se de devorar tanta larva e tanto verme nas locas escuras e aprendendo a trabalhar e estudar tanto quanto era necessário à venturosa jornada.

Antes que terminou, gargalhadas estridentes coroaram-lhe a preleção.

Ninguém acreditou nele.

Alguns oradores tomaram a palavra e afirmaram, solenes, que o peixinho vermelho delirava, que outra vida além do poço era francamente impossível, que aquelas história de riachos, rios e oceanos era mera fantasia de cérebro demente e alguns chegaram a declarar que falavam em nome do Deus dos Peixes, que trazia os olhos voltados para eles unicamente.

O soberano da comunidade, para melhor ironizar o peixinho, dirigiu-se em companhia dele até a grade de escoamento e, tentando, de longe, a travessia, exclamou, borbulhante:

- "Não vês que não cabe aqui nem uma só de minhas barbatanas? Grande tolo! vai-te daqui! não nos perturbes o bem-estar... Nosso lago é o centro do Universo... Ninguém possui vida igual à nossa!..."

Expulso a golpes de sarcasmo, o peixinho realizou a viagem de retorno e instalou-se, em definitivo, no Palácio de Coral, aguardando o tempo.

Depois de alguns anos, apareceu pavorosa e devastadora seca.

As águas desceram de nível. E o poço onde viviam os peixes pachorrentos e vaidosos esvaziou-se, compelindo a comunidade inteira a perecer, atolada na lama...

 

 

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AS GRANDES RELIGIÕES - 2

2a, PARTE

3. O HINDUÍSMO

imageOs hindus se intitulam adeptos do Sanâtana Dharma, isto é "lei cósmica universal sem origem".

Uma religião com base em textos sânscritos considerados como "a revelação"(sruti), compreendendo os livros dos Vedas e os Upanishads, escritos e compilados entre 2000 e 600 a. C.

Esses textos descrevem uma ordem cósmica representada no equilíbrio entre o mal e o bem, entre deuses e demônios. Os ritos e sacrifícios têm a finalidade de manter esse equilíbrio. Desta forma, os ritos definem uma ordem social e política.

Entre 600 e 300 a. C., essa doutrina foi reinterpretada, acrescentado-a a metafísica da transmigração, isto é, a situação atual tem suas causas nos méritos e erros das vidas anteriores. Contudo pode ser mudada, isto é, a libertação e salvação pode ser alcançada nos ciclos de renascimentos, desde que as dividas fossem pagas aos deuses. Nesta época o hiduismo recebeu influências do budismo.

O hinduismo é a religião dominante na Índia.

Quem não ouviu falar de Mahatma Gandhi (1869 – 1948), indiano, hinduísta, pregador da não violência?

4. O JUDAÍSMO

As origens do judaísmo são atribuídas a Abraão, escolhido por Deus (Javé) para deixar sua terra natal, Ur, e partir em direção à terra prometida, a Palestina, para ser o pai de um grande povo. Como sinal da bênção de Deus, Sara, a esposa de Abraão, estéril, teria um filho, Isaac. A descendência de Abraão continuaria com Jacó, filho de Isaac. Esses fatos ocorreram entre 1800 e 1600 a. C.

A região da Palestina foi assolada por uma grande seca, por volta de 1500 a. C.

Nessa época, um dos filhos de Jacó, José, era o administrador do faraó no Egito, que se encontrava em fartura. A seca levou muitos povos ao Egito, em busca de comida. Entre eles, estava o povo de Deus, os descendentes de Abraão.

Alguns anos mais tarde, esses povos foram escravizados por faraós, até que, por volta de 1300 a. C., surgiu Moisés, escolhido por Deus para libertar o povo da escravidão do Egito.

Chegaram à Terra Prometida, por volta de 1200 a.C., depois de caminharem 40 anos pelo deserto da península do Sinai, onde por várias vezes Javé se manifestou ao povo, como por exemplo, na passagem do mar Vermelho e, sobretudo na entrega da Lei no monte Sinai (10 mandamentos) a Moisés.

Entre os governantes que mais se destacaram encontramos os reis Davi, pela sua bravura, mas conquistas, e Salomão, pela sua sabedoria.

Historicamente o povo judeu esteve a maior parte de sua história sob o domínio, entre outros, dos persas, gregos e romanos.

A Bíblia é o livro sagrado onde encontramos as revelações históricas de Deus ao povo, ora pela Lei, pelos fatos, pela pregação dos profetas e pelas poesias, orações e cânticos.

Neste livro Deus é único, criador de tudo. Tudo o que existe foi criado por Ele, para manifestar seu poder, sua sabedoria, perfeição e seu imenso amor. A criação é perfeita, mas o desejo do homem em ser mais do é, o leva a destruir a ordem primitiva da criação. Para o restabelecimento desta ordem Deus escolhe um povo e envia mensageiros para reconduzir a humanidade à ordem original. Como esse objetivo não é atingido, Javé promete a vinda de um Salvador, o Messias, descendente de Davi, para libertar o povo de todo sofrimento e escravidão.

5. O CRISTIANISMO

O Cristianismo é a continuação do judaísmo, isto é, acredita em um único Deus, criador, onipotente, perfeito; crê que esse Deus se revelou através da história dos patriarcas (Abraão, Isaac e Jacó), de Moisés, de Davi, Salomão, dos profetas, nos fatos cotidianos da vida do povo e até mesmo na história de outros povos; crê que Deus criou, com amor, um mundo perfeito destruído pela inveja (Caim e Abel), pelo desejo do homem ser mais do que ele é, isto é criatura, (como vemos na narração do pecado original e da torre de Babel); crê que Deus procurou restabelecer a ordem primitiva em primeiro lugar com uma atitude radical (a inundação do mundo salvando apenas a família de Noé e de animais), depois enviando mensageiros (profetas), e por fim enviou seu próprio Filho, o Messias prometido e esperado. Aqui reside a diferença entre o judaísmo e o cristianismo: Cristo, o Filho de Deus, prometido e esperado para salvar, libertar a humanidade, não simplesmente de sua escravidão política, religiosa, ideológica, mas de tudo que perturba e traz infelicidade ao ser humano no aspecto pessoal e social.

A grande novidade na mensagem de Jesus é a substituição da lei do "dente por dente" pela Lei do "Amai-vos uns aos outros". O Amor é o caminho para o fim das injustiças sociais, políticas, religiosas e ideológicas; é o meio e o fim no restabelecimento da ordem primitiva da criação.

Esta revelação chega até nós pelos livros sagrados do Antigo Testamento e do Novo Testamento, a Bíblia.

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José Luiz Duarte

www.jduarte.hpg.com.br

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